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📰 FaithStories News Desk · Article #550 · Published: 05 Nov 2026, 05:25 AM UTC

Líderes evangélicos se afastam de Flávio Bolsonaro após carta dos Estados Unidos

Interior amplo de uma igreja evangélica em São Paulo durante um culto, fiéis vistos de costas com as mãos erguidas, iluminação quente no palco, bancos de madeira, sem texto
O afastamento de líderes evangélicos de Flávio Bolsonaro foi relatado pelo jornal O Globo e confirmado pelo NC News.

"Primeiro Deus, depois a família e depois o resto." Com essa frase, dita no púlpito da sua igreja, o bispo Edir Macedo desautorizou o lema mais famoso do bolsonarismo. Macedo é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, uma das maiores forças religiosas do Brasil, e a sua declaração marcou o sinal mais visível de um movimento maior: importantes líderes evangélicos se afastaram de Flávio Bolsonaro depois da derrota na disputa presidencial, segundo o jornal O Globo, em reportagem citada pela agência ANSA.

O movimento evangélico conta com o apoio de pouco menos de 30% da população brasileira, segundo a ANSA. Por isso, quando os seus líderes mudam de posição, a política brasileira sente.

Flávio Bolsonaro, senador e ex-candidato presidnecial, viajou para os Estados Unidos depois de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. De lá, divulgou uma carta em que se apresentou inicialmente como o verdadeiro presidente eleito, segundo O Globo e o NC News. A carta foi alterada depois, mas o estrago já estava feito.

Macedo manifestou o seu desacordo com a consigna "Deus, pátria e família", utilizada por Bolsonaro durante a campanha, segundo a ANSA. "Nós, na Universal, damos prioridade a esta hierarquia: primeiro Deus, depois a família e depois o resto. Não estou de acordo com essa teoria de Deus, pátria e família", disse Macedo durante um culto da sua igreja.

No dia seguinte à eleição, o bispo Alessandro Paschoal, apontado como interlocutor da denominação em assuntos políticos, republicou um trecho dessa pregação, segundo o NC News.

A declaração marca distância de um dos principais símbolos usados pelo bolsonarismo para aproximar conservadorismo político e identidade religiosa.

Edir Macedo e a Igreja Universal se afastam do bolsonarismo

Macedo é proprietário da cadeia de televisão e rádio Record, a segunda mais importante do Brasil, segundo a ANSA. Nessa emissora, colunistas e dirigentes do Partido Republicanos, a sua agrupação política, questionaram a fuga de Bolsonaro, descrita como uma falta de respeito aos 60 milhões de eleitores que confiaram nele. O distanciamento da Igreja Universal com o ex-candidato também pode repercutir no Congresso, onde setores do Republicanos avaliam romper a aliança parlamentar com o Partido Liberal, o PL de Bolsonaro, segundo a ANSA.

O informe de O Globo assinala que o descontentamento evangélico atravessa as principais igrejas desse movimento, segundo a ANSA. O bispo Abner Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, reconheceu a vitória de Lula já no dia seguinte à eleição e defendeu que a democracia exige maturidade, equilíbrio e respeito às decisões populares, segundo o NC News.

O bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, igreja de Brasília onde Flávio foi batizado em 2024, afirmou que as eleições terminaram e que não existe terceiro turno, segundo o NC News.

Silas Malafaia chama os filhos de Bolsonaro de "jumentos"

Até Silas Malafaia, um dos principais aliados religiosos da família Bolsonaro, demonstrou insatisfação, segundo o NC News. Em conversa reservada com aliados, divulgada inicialmente por O Globo e confirmada pelo NC News, o pastor chamou os filhos de Jair Bolsonaro de "jumentos", em reação à carta de Flávio que questionava o resultado das urnas.

"Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige", escreveu Malafaia, segundo o NC News.

A crítica, porém, não foi um rompimento, segundo o NC News. No dia seguinte à divulgação das mensagens, Malafaia disse que a conversa era privada e que havia sido vazada por alguém em quem confiava.

Depois disso, voltou a defender Flávio publicamente, inclusive em relação à saída do senador do Brasil por perseguição política, segundo o NC News. O episódio mostra a distinção entre apoiar o projeto político bolsonarista e aprovar as decisões tomadas pela família.

Malafaia é um dos principais referentes do evangelismo brasileiro e liderou, junto com Jair Bolsonaro, grandes atos contra Lula desde 2023, segundo a ANSA. Foi ele quem celebrou o casamento do ex-presidente com a sua atual esposa, Michelle Bolsonaro, uma importante referência do movimento neopentecostal. Por isso, a sua irritação privada pesou tanto: não veio de um adversário, mas de dentro da aliança.

Michelle Bolsonaro, eleita senadora em 4 de outubro, fez declarações após a fuga de Flávio em que não se solidarizou com o ex-candidato, segundo a ANSA. Em vez disso, propôs reagrupar forças com os dirigentes que permanecem no Brasil.

O pastor Silas Malafaia, por sua vez, considerou inapropriado questionar o resultado das eleições, segundo a ANSA. O bispo propôs olhar para frente, respeitando a vitória de Lula e apoiando o governdor de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como possível candidato da direita nas próximas presidenciais, segundo a ANSA.

O que mudou nas urnas para as igrejas tradicionais

O distanciamento político acontece em paralelo a um cenário eleitoral desfavorável a representantes tradicionais das grandes denominações, segundo o NC News. Na Universal, metade dos 12 deputados federais ligados à instituição que tentaram a reeleição não renovou o mandato. Na Assembleia de Deus de Madureira, os dois principais representantes na Câmara, Cezinha de Madureira e Otoni de Paula, também não se reelegeram.

Em São Paulo, dez dos 31 membros da composição anterior da Frente Parlamentar Evangélica da Assembleia Legislativa não conquistaram a reeleição, segundo o NC News. Apesar disso, a representação de parlamentares evangélicos no Congresso cresceu, impulsionada por nomes com forte presença nas redes sociais, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato.

O movimento levanta uma pergunta, formulada pelo próprio NC News: é uma revisão de convicções políticas ou uma tentativa de reduzir os custos de permanecer associado ao bolsonarismo? Depois da derrota, o discurso mudou: ganharam espaço a defesa da autonomia das igrejas e as críticas à condução política do senador.

Não é possível atribuir a todas as lideranças a mesma motivação, segundo o NC News. Algumas podem estar reagindo a posições incompatíveis com as suas convicções políticas, enquanto outras podem avaliar que a associação com um grupo derrotado ameaça a própria influência.

O Brasil evangélico já foi tema de outras coberturas deste site, como Avivamento no Brasil 2026: evangélicos chegam a 35% da população e The Chosen 6ª temporada no Brasil: igrejas viram cinemas com 22 mil inscrições antes da estreia. A vida das igrejas brasileiras também aparece em Concílio Anual Adventista reúne oito países em Brasília para fortalecer a identidade bíblica e em Hoje: Papa Leão XIV nomeia dom Carlos José de Oliveira bispo de Limeira.

O recuo de parte das lideranças, portanto, não significa o fim da aproximação entre religião e bolsonarismo, segundo o NC News.

A questão que permanece é se o movimento será acompanhado de revisão efetiva dos critérios usados pelas igrejas para participar da política, ou se é só uma mudança de posicionamento diante de um grupo que perdeu a eleição. A resposta virá nas próximas alianças: quem os pastores abençoarem no púlpito dirá mais do que qualquer carta escrita do exterior, e o nome que eles escolherem para 2030 já começou a ser disputado nos bastidores das igrejas.

Perguntas frequentes

Por que os líderes evangélicos se afastaram de Flávio Bolsonaro?

Depois da derrota presidencial e da carta divulgada pelo senador nos Estados Unidos questionando o resultado, líderes como Edir Macedo e Silas Malafaia demonstraram insatisfação, segundo O Globo e o NC News.

O que disse Edir Macedo?

Que na Universal a hierarquia é primeiro Deus, depois a família e depois o resto, e que não aprova a teoria "Deus, pátria e família", segundo O Globo e o NC News.

O que Malafaia escreveu sobre os filhos de Bolsonaro?

Em conversa privada divulgada por O Globo e confirmada pelo NC News, chamou os filhos de Jair Bolsonaro de "jumentos" e disse que só se aconselham com gente errada.

Isso significa um rompimento definitivo?

Não: no dia seguinte, Malafaia disse que a conversa era privada e voltou a defender Flávio publicamente, segundo o NC News.

Como ficaram as igrejas tradicionais nas urnas?

Perderam espaço: metade dos 12 deputados federais ligados à Universal que tentaram a reeleição não renovou o mandato, mas a bancada evangélica cresceu com nomes das redes sociais, segundo o NC News.

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