Líderes evangélicos se afastam de Flávio Bolsonaro após carta dos Estados Unidos

"Primeiro Deus, depois a família e depois o resto." Com essa frase, dita no púlpito da sua igreja, o bispo Edir Macedo desautorizou o lema mais famoso do bolsonarismo. Macedo é o fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, uma das maiores forças religiosas do Brasil, e a sua declaração marcou o sinal mais visível de um movimento maior: importantes líderes evangélicos se afastaram de Flávio Bolsonaro depois da derrota na disputa presidencial, segundo o jornal O Globo, em reportagem citada pela agência ANSA.
O movimento evangélico conta com o apoio de pouco menos de 30% da população brasileira, segundo a ANSA. Por isso, quando os seus líderes mudam de posição, a política brasileira sente.
Flávio Bolsonaro, senador e ex-candidato presidnecial, viajou para os Estados Unidos depois de ser derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. De lá, divulgou uma carta em que se apresentou inicialmente como o verdadeiro presidente eleito, segundo O Globo e o NC News. A carta foi alterada depois, mas o estrago já estava feito.
Macedo manifestou o seu desacordo com a consigna "Deus, pátria e família", utilizada por Bolsonaro durante a campanha, segundo a ANSA. "Nós, na Universal, damos prioridade a esta hierarquia: primeiro Deus, depois a família e depois o resto. Não estou de acordo com essa teoria de Deus, pátria e família", disse Macedo durante um culto da sua igreja.
No dia seguinte à eleição, o bispo Alessandro Paschoal, apontado como interlocutor da denominação em assuntos políticos, republicou um trecho dessa pregação, segundo o NC News.
A declaração marca distância de um dos principais símbolos usados pelo bolsonarismo para aproximar conservadorismo político e identidade religiosa.
Edir Macedo e a Igreja Universal se afastam do bolsonarismo
Macedo é proprietário da cadeia de televisão e rádio Record, a segunda mais importante do Brasil, segundo a ANSA. Nessa emissora, colunistas e dirigentes do Partido Republicanos, a sua agrupação política, questionaram a fuga de Bolsonaro, descrita como uma falta de respeito aos 60 milhões de eleitores que confiaram nele. O distanciamento da Igreja Universal com o ex-candidato também pode repercutir no Congresso, onde setores do Republicanos avaliam romper a aliança parlamentar com o Partido Liberal, o PL de Bolsonaro, segundo a ANSA.
O informe de O Globo assinala que o descontentamento evangélico atravessa as principais igrejas desse movimento, segundo a ANSA. O bispo Abner Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, reconheceu a vitória de Lula já no dia seguinte à eleição e defendeu que a democracia exige maturidade, equilíbrio e respeito às decisões populares, segundo o NC News.
O bispo JB Carvalho, da Comunidade das Nações, igreja de Brasília onde Flávio foi batizado em 2024, afirmou que as eleições terminaram e que não existe terceiro turno, segundo o NC News.
Silas Malafaia chama os filhos de Bolsonaro de "jumentos"
Até Silas Malafaia, um dos principais aliados religiosos da família Bolsonaro, demonstrou insatisfação, segundo o NC News. Em conversa reservada com aliados, divulgada inicialmente por O Globo e confirmada pelo NC News, o pastor chamou os filhos de Jair Bolsonaro de "jumentos", em reação à carta de Flávio que questionava o resultado das urnas.
"Esses filhos de Bolsonaro são uns jumentos. Só se aconselham com gente errada! Faz carta, fala bobagem, depois corrige", escreveu Malafaia, segundo o NC News.
A crítica, porém, não foi um rompimento, segundo o NC News. No dia seguinte à divulgação das mensagens, Malafaia disse que a conversa era privada e que havia sido vazada por alguém em quem confiava.
Depois disso, voltou a defender Flávio publicamente, inclusive em relação à saída do senador do Brasil por perseguição política, segundo o NC News. O episódio mostra a distinção entre apoiar o projeto político bolsonarista e aprovar as decisões tomadas pela família.
Malafaia é um dos principais referentes do evangelismo brasileiro e liderou, junto com Jair Bolsonaro, grandes atos contra Lula desde 2023, segundo a ANSA. Foi ele quem celebrou o casamento do ex-presidente com a sua atual esposa, Michelle Bolsonaro, uma importante referência do movimento neopentecostal. Por isso, a sua irritação privada pesou tanto: não veio de um adversário, mas de dentro da aliança.
Michelle Bolsonaro, eleita senadora em 4 de outubro, fez declarações após a fuga de Flávio em que não se solidarizou com o ex-candidato, segundo a ANSA. Em vez disso, propôs reagrupar forças com os dirigentes que permanecem no Brasil.
O pastor Silas Malafaia, por sua vez, considerou inapropriado questionar o resultado das eleições, segundo a ANSA. O bispo propôs olhar para frente, respeitando a vitória de Lula e apoiando o governdor de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como possível candidato da direita nas próximas presidenciais, segundo a ANSA.
O que mudou nas urnas para as igrejas tradicionais
O distanciamento político acontece em paralelo a um cenário eleitoral desfavorável a representantes tradicionais das grandes denominações, segundo o NC News. Na Universal, metade dos 12 deputados federais ligados à instituição que tentaram a reeleição não renovou o mandato. Na Assembleia de Deus de Madureira, os dois principais representantes na Câmara, Cezinha de Madureira e Otoni de Paula, também não se reelegeram.
Em São Paulo, dez dos 31 membros da composição anterior da Frente Parlamentar Evangélica da Assembleia Legislativa não conquistaram a reeleição, segundo o NC News. Apesar disso, a representação de parlamentares evangélicos no Congresso cresceu, impulsionada por nomes com forte presença nas redes sociais, como Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato.
O movimento levanta uma pergunta, formulada pelo próprio NC News: é uma revisão de convicções políticas ou uma tentativa de reduzir os custos de permanecer associado ao bolsonarismo? Depois da derrota, o discurso mudou: ganharam espaço a defesa da autonomia das igrejas e as críticas à condução política do senador.
Não é possível atribuir a todas as lideranças a mesma motivação, segundo o NC News. Algumas podem estar reagindo a posições incompatíveis com as suas convicções políticas, enquanto outras podem avaliar que a associação com um grupo derrotado ameaça a própria influência.
O Brasil evangélico já foi tema de outras coberturas deste site, como Avivamento no Brasil 2026: evangélicos chegam a 35% da população e The Chosen 6ª temporada no Brasil: igrejas viram cinemas com 22 mil inscrições antes da estreia. A vida das igrejas brasileiras também aparece em Concílio Anual Adventista reúne oito países em Brasília para fortalecer a identidade bíblica e em Hoje: Papa Leão XIV nomeia dom Carlos José de Oliveira bispo de Limeira.
O recuo de parte das lideranças, portanto, não significa o fim da aproximação entre religião e bolsonarismo, segundo o NC News.
A questão que permanece é se o movimento será acompanhado de revisão efetiva dos critérios usados pelas igrejas para participar da política, ou se é só uma mudança de posicionamento diante de um grupo que perdeu a eleição. A resposta virá nas próximas alianças: quem os pastores abençoarem no púlpito dirá mais do que qualquer carta escrita do exterior, e o nome que eles escolherem para 2030 já começou a ser disputado nos bastidores das igrejas.
Perguntas frequentes
Depois da derrota presidencial e da carta divulgada pelo senador nos Estados Unidos questionando o resultado, líderes como Edir Macedo e Silas Malafaia demonstraram insatisfação, segundo O Globo e o NC News.
Que na Universal a hierarquia é primeiro Deus, depois a família e depois o resto, e que não aprova a teoria "Deus, pátria e família", segundo O Globo e o NC News.
Em conversa privada divulgada por O Globo e confirmada pelo NC News, chamou os filhos de Jair Bolsonaro de "jumentos" e disse que só se aconselham com gente errada.
Não: no dia seguinte, Malafaia disse que a conversa era privada e voltou a defender Flávio publicamente, segundo o NC News.
Perderam espaço: metade dos 12 deputados federais ligados à Universal que tentaram a reeleição não renovou o mandato, mas a bancada evangélica cresceu com nomes das redes sociais, segundo o NC News.
🔔 Don't Miss the Next Story!
Get breaking Christian news on your phone before everyone else — allow notifications when prompted, or join our newsletter below!
But the most surprising part of this story is yet to come — keep reading.
🙏 Have a Testimony to Share?
Has God done something amazing in your life? Or want us to cover a specific story? Send your testimony or story request via WhatsApp — your story could encourage thousands!
💬 Comments
Share your thoughts below. Be kind and respectful. If this story touched you, let us know in the comments!