Eleição no Brasil Hoje: Evangélicos e Católicos Votaram de Forma Oposta, Mostram Pesquisas

Sete em cada dez evangélicos de um lado, mais da metade dos católicos do outro: foi assim, em números que se repetiram pesquisa após pesquisa, que o Brasil chegou ao segundo turno da eleição presidencial. Três pesquias publicadas nos dias anteriores à votação de 25 de outubro de 2026 mostraram a mesma divisão religiosa, com os evangélicos apoiando majoritariamente Flávio Bolsonaro e os católicos apoiando majoritariamente Luiz Inácio Lula da Silva, e com a margem evangélica mais larga do que a margem católica nas três pesquisas.
Este artigo trata apenas do voto religioso medido pelas pesquisas, e não da narrativa do resultado ou da disputa posterior à votação, que é outra história. O que as pesquisas mostram, com métodos e datas diferentes, é um padrão estável: os dois maiores grupos de fé do país, que juntos reúnem a imensa maioria dos eleitores brasileiros, inclinaram-se em direções opostas, e essa inclinação foi captada de forma independente por três institutos.
A primeira pesquisa, do instituto Meio/Ideia, ouviu 1.500 pessoas com mais de 16 anos por telefone entre 15 e 19 de outubro, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e 95% de confiança, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-08251/2026. Nela, entre os evangelicos, 69,6% disseram que votariam em Flávio Bolsonaro no segundo turno e 25,9% em Lula; entre os católicos, 55% disseram que votariam em Lula e 39,6% em Flávio.
A segunda pesquisa, do AtlasIntel, entrevistou 4.990 pessoas entre 18 e 23 de outubro por recrutamento digital aleatório, com 95% de confiança, registrada no TSE sob o número BR-06380/2026. Nela, Flávio Bolsonaro tinha 72,2% das intenções de voto entre os evangélicos, enquanto Lula tinha 55,9% entre os católicos. No conjunto dos votos válidos dessa pesquisa pré-segundo turno, Flávio aparecia com 50,8% contra 49,2% de Lula, um retrato do momento anterior à votação, e não o resultado da eleição.
Entre os evangélicos, 69,6% votariam em Flávio Bolsonaro e 25,9% em Lula; entre os católicos, 55% votariam em Lula e 39,6% em Flávio.
Esse é o resultado da pesquisa Meio/Ideia, divulgada antes do segundo turno e reportada pela CNN Brasil, e ele resume em duas linhas a divisão que as outras pesquisas também encontraram. A força do dado não está em uma única pesquisa, mas na repetição: com amostras, períodos e métodos diferentes, os três levantamentos apontaram para o mesmo desenho, com os evangélicos mais concentrados em um candidato e os católicos mais divididos, porém inclinados para o outro.
Pesquisas no Brasil: evangélicos com Flávio, católicos com Lula
A terceira pesquisa, do Datafolha, publicada em 24 de outubro e reportada pela Ecuavisa, mostrou entre os católicos Lula com 56% dos votos válidos contra 44% de Flávio Bolsonaro, e entre os evangélicos o senador com 70% contra 30% de Lula. Os números mudam um pouco de instituto para instituto, como é normal em pesquisas com margens de erro diferentes, mas a direção é a mesma nas três: católicos inclinados a Lula, evangélicos inclinados fortemente a Flávio.
A diferença de intensidade entre os dois grupos é um dos pontos mais interessantes do conjunto das pesquisas. A margem evangélica a favor de Flávio ficou entre cerca de 40 e 44 pontos percentuais nas três pesquisas, enquanto a margem católica a favor de Lula ficou entre cerca de 11 e 16 pontos. Em outras palavras, o voto evangélico apareceu mais coeso, e o voto católico, embora majoritariamente favorável a Lula, apareceu mais repartido.
O contexto ajuda a entender por que essas pesquisas atraíram tanta atenção. O segundo turno presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro foi realizado no domingo, 25 de outubro de 2026, depois que nenhum dos dois candidatos passou de 50% no primeiro turno. As pesquisas publicadas na semana anterior à votação eram, portanto, o último retrato disponível da disputa antes de os eleitores irem às urnas, e o retrato religioso foi um dos mais comentados.
Voto evangélico e voto católico: o que as três pesquisas mostram juntas
As histórias de fé do Brasil também aparecem em outras coberturas recentes em português, como a mensagem da CNBB aos eleitos sobre o bem comum e a dignidade humana após as eleições de 2026, a expectativa de um milhão de fiéis no Evangelizar É Preciso Fortaleza no dia 31 de outubro e a invasão de uma igreja em Itu durante um ensaio de louvor, e a cobertura recente sobre a fé no Brasil em português. São ângulos diferentes da mesma realidade: a fé vivida em público, nas urnas, nas ruas e nos templos, em um país onde a religião segue sendo uma das chaves para entender a vida coletiva.
Por que a margem evangélica foi mais larga que a margem católica
As pesquisas, por si sós, não explicam as razões do voto de cada eleitor, e este artigo não atribui motivos que as fontes não registraram. O que os números permitem dizer é que a concentração do voto evangélico em um candidato foi maior, em pontos percentuais, do que a concentração do voto católico no outro, e que esse desenho se manteve estável entre 15 e 24 de outubro, no período coberto pelos três levantamentos.
Queda por ver, nos próximos meses, como essa divisão religiosa medida antes do segundo turno se refletirá na vida pública brasileira, nas igrejas, nas comunidades e no debate nacional. A pergunta que as três pesquisas deixam no ar não é apenas quem votou em quem, porque isso as urnas já responderam, mas o que significa, para um país de maioria cristã, ver seus dois maiores grupos de fé puxando em direções opostas com tanta clareza — e o que as lideranças religiosas e políticas farão com esse retrato.
Perguntas frequentes
Que os evangélicos apoiaram majoritariamente Flávio Bolsonaro, com 69,6% a 72,2% nas pesquisas, e os católicos apoiaram majoritariamente Lula, com 55% a 55,9% (Fontes: Meio/Ideia, AtlasIntel e Datafolha).
Entre os evangélicos, 69,6% para Flávio e 25,9% para Lula; entre os católicos, 55% para Lula e 39,6% para Flávio, com 1.500 entrevistados entre 15 e 19 de outubro (Fonte: NewNews/CNN Brasil).
Flávio tinha 72,2% entre os evangélicos e Lula tinha 55,9% entre os católicos, em 4.990 entrevistas entre 18 e 23 de outubro (Fonte: Bloomberg Línea).
Entre os católicos, Lula com 56% dos votos válidos contra 44% de Flávio; entre os evangélicos, Flávio com 70% contra 30% de Lula (Fonte: Ecuavisa).
No domingo, 25 de outubro de 2026, depois que nenhum candidato passou de 50% no primeiro turno (Fontes: Ecuavisa e Bloomberg Línea).
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