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📰 FaithStories News Desk · Article #221 · Published: 25 Oct 2026, 05:26 AM PKT

Voto evangélico hoje: o grupo onde Flávio Bolsonaro lidera com mais folga no segundo turno

Eleitores brasileiros em fila tranquila diante de uma seção eleitoral num domingo de sol, com torre de igreja ao fundo
Neste domingo 25 de outubro, o Brasil vota no segundo turno e o eleitor evangélico chega como o grupo onde Flávio Bolsonaro tem sua maior vantagem.

Neste domingo 25 de outubro, milhões de brasileiros saem de casa para decidir entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, e um grupo de eleitores chega à urna com um peso que nenhuma campanha ignora: os evangélicos, cerca de 27% a 29% da população segundo as medições citadas na cobertura desta eleição, são o segmento religioso onde Flávio tem sua maior vantagem.

Os números variam conforme o instituto, mas apontam na mesma direção. O levantamento mais recente comentado pelo diretor-executivo do Real Time Big Data, Lucas Thut Sahd, no programa Ponto de Vista, da VEJA+, coloca Flávio com 56% entre os evangélicos, contra 39% de Lula.

Já a pesquisa BTG/Nexus, divulgada em 13 de outubro, mostrava Flávio com 58% entre os evangélicos, contra 32% de Lula, com 8% de brancos e nulos e 3% de indecisos. E a AtlasIntel/Bloomberg, em medição divulgada em 19 de outubro, apontava uma vantagem ainda maior: 69,7% a 26,3%.

Três institutos, três fotografias diferentes, uma mesma conclusão: entre os evangélicos, Flávio lidera com folga. Mas essa folga não conta toda a história — e é justamente o que ela esconde que torna este domingo tão decisivo.

O que as pesquisas dizem sobre o voto evangélico no segundo turno?

No cenário geral de votos válidos, a disputa está muito mais apertada. O Real Time Big Data coloca Flávio com 52% contra 48% de Lula no total, e, no cenário estimulado, 48% a 45%, com 5% de brancos e nulos e 2% de indecisos — um empate técnico, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

A BTG/Nexus, por sua vez, também apontava Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos. Ou seja: a vantagem evangélica de Flávio é o que o mantém à frente num país dividido ao meio, e qualquer variação na participação desse grupo pode mover o resultado final.

Entre os católicos, o quadro se inverte, ainda que por pouco: a BTG/Nexus mostra Lula com 51% contra 44% de Flávio, com 2% de brancos e nulos e 3% de indecisos. A diferença de sete pontos entre os católicos é bem menor que os 26 pontos de vantagem de Flávio entre os evangélicos.

Há ainda um dado que as campanhas leram com atenção: segundo a BTG/Nexus, 73% dos católicos dizem ter muito interesse no segundo turno, contra 58% dos evangélicos, uma diferença de 15 pontos. Entre os evangélicos, 18% afirmam ter pouco ou nenhum interesse na disputa, contra 10% dos católicos.

Por que o eleitor evangélico não é um bloco monolítico?

É tentador tratar os evangélicos como um único exército eleitoral, mas a realidade das igrejas brasileiras desmente essa imagem. O grupo reúne dezenas de denominações, com forte presença pentecostal, trajetórias diferentes e, sobretudo, fiéis que decidem por conta própria.

Uma pesquisa nacional do Instituto de Estudos da Religião (Iser) com a Quaest, citada na cobertura desta eleição, mostrou que 83% dos entrevistados são contra que pastores ou padres indiquem expressamente em quem votar, e 90% rejeitam campanhas eleitorais dentro dos espaços religiosos.

Esse dado conversa com outro, revelado pelo estudo que monitorou 7.456 cultos e missas e encontrou propaganda eleitoral em apenas 3,2% das igrejas, como mostramos em nossa cobertura do estudo sobre fé e voto. A fé pesa na decisão de voto, mas não se transfere automaticamente do púlpito para a urna.

Flávio Bolsonaro, que professa a fé evangélica batista e se batizou no rio Jordão no início de 2026, segundo a cobertura da campanha, construiu sua vantagem nesse terreno ao longo de meses, com presença em marchas e convenções e um discurso que fala diretamente a valores conservadores. Mas, como lembra o próprio Sahd, do Real Time Big Data, a leitura dos números envolve tendência e transferência de votos de candidatos derrotados, como Ronaldo Caiado e Renan Santos — não uma entrega automática das igrejas.

O que o voto de hoje decide para as igrejas do Brasil?

Hoje, o Brasil não escolhe apenas um presidente: escolhe também que tipo de relação a fé terá com o poder nos próximos anos. As igrejas viveram, nesta semana, uma mobilização de oração sem precedentes, do Largo da Carioca ao clamor de Jerusalém, como contamos em nossa cobertura do Clama, Brasil! no Rio e em nossa cobertura da oração de Joel Engel em Israel.

Seja qual for o vencedor, um fato já está posto: nenhum candidato governará sem dialogar com um segmento que representa quase três em cada dez brasileiros, que se organiza em milhares de comunidades locais e que, neste domingo, vota com a Bíblia na memória e a consciência na urna.

Tambem é preciso dizer o que ainda não se sabe: no momento em que este artigo é publicado, o resultado do segundo turno ainda será apurado, e qualquer proclamação de vencedor antes da apuração oficial deve ser tratada como especulação. As pesquisas citadas aqui são fotografias de antes da votação, não o resultado.

E fica a pergunta que vai ecoar nas igrejas a partir desta noite: quando as urnas fecharem e o vencedor for conhecido, o que as igrejas farão com a influência que acabam de demonstrar? Orar pelo governo, qualquer que seja ele, fiscalizar o poder com a mesma energia com que o apoiaram, e lembrar que a urna passa, mas a missão continua — essa é a resposta que os próximos meses, e não as pesquisas, vão dar.

Perguntas frequentes

Quem lidera entre os eleitores evangélicos no segundo turno?

Flávio Bolsonaro, em todas as pesquisas citadas: 56% a 39% no Real Time Big Data, 58% a 32% na BTG/Nexus e 69,7% a 26,3% na AtlasIntel/Bloomberg. Os números variam por instituto e data, mas a direção é a mesma (Fonte: NT Gospel; Prensa Mercosur)

Qual é o cenário geral do segundo turno?

Muito mais apertado: Real Time Big Data e BTG/Nexus apontam Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos, e o cenário estimulado do Real Time (48% a 45%) configura empate técnico, com margem de erro de dois pontos (Fonte: NT Gospel)

Como votam os católicos no segundo turno?

Segundo a BTG/Nexus, Lula tem 51% e Flávio, 44% entre os católicos, com 2% de brancos e nulos e 3% de indecisos — uma diferença de sete pontos, bem menor que a vantagem de Flávio entre os evangélicos (Fonte: Prensa Mercosur)

Os evangélicos são um bloco monolítico de votos?

Não. O grupo reúne muitas denominações e, segundo o Iser/Quaest, 83% dos entrevistados rejeitam que pastores indiquem em quem votar, e 90% rejeitam campanhas dentro dos templos. A fé influencia, mas não transfere votos automaticamente (Fonte: cobertura citada pela Infoqom)

O resultado do segundo turno já é conhecido?

Não, no momento da publicação deste artigo o resultado ainda será apurado. As pesquisas citadas são medições anteriores à votação e não substituem a apuração oficial (Fonte: apuração oficial a confirmar)

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