Igreja Assembleia de Deus é pichada com 'morram cristãos' em Dourados, MS

Ele chegou ao templo como em qualquer outra manhã, provavelmente pensando no culto da noite ou na visita que faria a um membro doente. Mas na segunda-feira, 12 de outubro de 2026, o pastor da Assembleia de Deus Belém, em Dourados, no Mato Grosso do Sul, parou diante do portão e leu, em letras rabiscadas no muro da igreja: «morram cristãos».
Ao lado da frase, um símbolo associado ao terrorismo. A casa de Deus amanheceu marcada como alvo.
O vandalismo não foi um rabisco qualquer. As pichações traziam mensagens explícitas de ódio contra cristãos, escritas para serem vistas, para assustar.
O pastor registrou o caso na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) de Dourados, e a polícia abriu investigação. Até o fechamento das reportagens, em 16 de outubro, ninguém havia sido identificado e a motivação permanecia um mistério.
Dourados é uma cidade do interior sul-mato-grossense onde as igrejas evangélicas fazem parte da paisagem — e da vida — há décadas. A Assembleia de Deus Belém é uma congregação de bairro, daquelas que sustentam cestas básicas, visitam hospitais e abrem as portas para quem precisa. Ver seu muro transformado em cartaz de ódio foi um choque não só para os membros, mas para a comunidade cristã de toda a região.
Igreja pichada em Dourados em outubro de 2026: o que se sabe
Os fatos, até agora, são estes: na manhã de 12 de outubro, o muro do templo amanheceu pichado com a frase «morram cristãos» e um símbolo ligado ao terrorismo. O caso foi registrado na Depac e esta sob investigação policial.
Quatro dias depois, nenhuma informação sobre os responsáveis havia chegado a imprensa. Não se sabe se foi obra de uma pessoa ou de um grupo, se houve motivação ideológica declarada ou se o símbolo deixado no muro indica alguma filiação.
O silêncio sobre a autoria incomoda. Ataques a templos costumam seguir um roteiro conhecido: primeiro a pichação, depois — se nada acontece — a escalada.
Por isso a rapidez da resposta institucional foi importante. No dia seguinte ao ataque, terça-feira 13 de outubro, o Conselho de Pastores de Mato Grosso do Sul (CONSEPAMS) divulgou uma nota oficial de repúdio, classificando o episódio como intolerância religiosa e cobrando punição aos responsáveis.
«Ataque covarde e direto não apenas a uma denominação, mas a toda a comunidade cristã e ao princípio fundamental da liberdade de crença». — Bispo Roger Reggiori, presidente do CONSEPAMS, via guiame.com.br
Intolerância religiosa no Brasil: a nota de repúdio do CONSEPAMS
O bispo Roger Reggiori, presidente do CONSEPAMS, não poupou palavras. Chamou o ato de «ataque covarde e direto», deixando claro que a pichação não atinge apenas a Assembleia de Deus Belém: atinge toda a comunidade cristã e o princípio da liberdade de crença garantido pela Constituição. A nota do conselho foi além: «O ódio e a intolerância não possuem espaço em uma sociedade que preza pela democracia e pela pluralidade».
A reação ecoa uma preocupação que cresce entre evangélicos brasileiros. Embora o Brasil seja um país de maioria cristã, episódios de hostilidade contra templos — pichações, invasões, depredações — têm aparecido com frequência nos noticiários.
Cada caso isolado parece pequeno; juntos, formam um padrão que líderes religiosos vêm denunciando há anos — e que o World Watch List 2026 documenta em escala global. A diferença, desta vez, é a crueza da mensagem: não era um protesto genérico, era um desejo de morte escrito num muro de igreja.
Esse tipo de perseguição silenciosa, feita de muros pichados e ameaças anônimas, contrasta com a perseguição aberta que cristãos enfrentam em outras partes do mundo — como mostra a resistência da igreja na Nigéria sob ataque em 2026, onde a violência contra cristãos já ceifou milhares de vidas. No Brasil, a liberdade religiosa ainda é garantida por lei; o desafio é garantir que continue sendo garantida na prática, muro por muro, bairro por bairro.
O que acontece agora em Dourados
A investigação segue na Depac. A expectativa da comunidade evangélica é que os responsáveis sejam identificados e punidos — não por vingança, mas para que o recado fique claro: ódio contra cristãos tem consequência. O CONSEPAMS pediu explicitamente a punição dos autores, e a nota de repúdio circula entre pastores de todo o estado como um chamado à vigilância e à oração.
Enquanto isso, a vida da congregação continua. O muro será limpo e repintado — provavelmente já foi.
Os cultos seguem. É assim que as igrejas respondem a esse tipo de ataque há dois mil anos: limpando o muro, abrindo as portas e orando inclusive por quem pichou. O avivamento evangélico que o Brasil vive em 2026, com os evangélicos chegando a 35% da população, mostra uma igreja que cresce apesar das pedras no caminho — ou talvez por causa delas.
Resta a pergunta que ninguém em Dourados consegue responder ainda: quem escreveu «morram cristãos» naquele muro, e por quê? A polícia investiga, os pastores oram, e uma congregação de bairro aprendeu, numa manhã de outubro, que a fé às vezes se prova não no púlpito, mas diante de um muro pichado. O próximo capítulo dessa história será escrito pelo inquérito policial — e, se depender da comunidade, também pela resposta mais antiga do cristianismo diante do ódio: continuar de pé, de portas abertas.
Perguntas frequentes
Na manhã de 12 de outubro de 2026, o muro da Assembleia de Deus Belém, em Dourados (MS), amanheceu pichado com a frase «morram cristãos» e um símbolo associado ao terrorismo. O caso foi registrado na Depac e está sob investigação policial.
Até 16 de outubro, ninguém havia sido identificado e a motivação permanecia desconhecida. A polícia de Dourados segue investigando o caso.
O Conselho de Pastores de Mato Grosso do Sul, presidido pelo bispo Roger Reggiori, divulgou nota de repúdio em 13 de outubro, classificando o ato como «intolerância religiosa» e «ataque covarde e direto» contra toda a comunidade cristã, e pediu a punição dos responsáveis.
Episódios de hostilidade contra templos — pichações, invasões e depredações — têm aparecido com frequência nos noticiários brasileiros. Líderes religiosos denunciam um padrão crescente, embora a liberdade religiosa seja garantida pela Constituição.
Com oração e continuidade: a congregação mantém seus cultos e atividades, enquanto lideranças evangélicas de todo o estado se manifestaram em solidariedade e cobraram das autoridades a identificação dos responsáveis.
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